Segundo Machado e Gonçalves, 2003, a violência é o resultado da existência de uma ordem hierárquica, ou seja, trata-se de alguém que julga que os outros não são tão importantes como ele próprio e que esta é uma atitude que abre a porta à violência nas relações.
O isolamento (geográfico, físico, afectivo e social), a fragmentação (como mal que consiste em considerar apenas uma parte menor do problema e que tem a ver com o rótulo que se confere à pessoa em concreto), o poder, a influência moral, as tendências para a violência apoiadas nas crenças e atitudes, situações de stress (desemprego; problemas financeiros; gravidez; mudanças de papel – tais como início da frequência de um curso ou novo emprego do outro), frustração, alcoolismo ou toxicodependência, vivências infantis de agressão ou de violência parental, personalidade sádica, perturbações mentais ou físicas são considerados agentes contribuintes para a violência.
Um crime pode afectar as vítimas de várias formas, uma vez que as pessoas não reagem todas de forma igual. A maioria das pessoas, após uma situação de crime, sente-se vulnerável. Sentir pânico, a impressão de estar a viver um pesadelo, desorientação, solidão e o estado de choque, são reacções comuns e esperadas por parte de vítimas de crime.
Embora todas as vitimas se sintam perturbadas, quando alvo de um episódio violento, as consequências posteriores podem ser diversificadas. O grau de violência de um crime vai condicionar o estado de afectação da vítima.
Existem um conjunto vário de consequências que se manifestam na vítima, que podem ser de carácter psicológico, físico e social. (APAV, 2008)
As consequências físicas consistem não só em resultados directos das agressões, como fracturas e hematomas, mas também em reacções do organismo ao stress a que esteve sujeito. Estas reacções não surgem todas de imediato, podendo aparecer ao longo do tempo e com variação de intensidade dependendo de cada indivíduo. A perda de energia, dores musculares e de cabeça, problemas digestivos e tensão arterial alta são algumas das reacções possíveis.
A par das consequências físicas a vítima pode apresentar sequelas psicológicas, como medo, sentimentos de culpabilidade, dependência emocional, depressão, ansiedade crónica, sentimentos de vulnerabilidade e de perda de controlo (Burge 1997; Mezey & Bewley 1997). A vítima pode ainda manifestar dificuldades de concentração, insónias, dificuldades de memória, irritabilidade, desconfiança, diminuição de autoconfiança e tristeza. A diversidade e intensidade das consequências ao nível psicológico podem levar as vítimas a pensar na possibilidade de estarem a perder o seu equilíbrio psíquico.
A nível social a vítima pode apresentar isolamento e dependência económica.
Contudo, nem sempre a vítima é a única pessoa em sofrimento. As testemunhas, os familiares e amigos da vítima podem ser também afectadas.
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